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Cotação de preços para licitação: como montar a sua

A lista chega do setor requisitante e precisa voltar com preços defensáveis. Este guia percorre o caminho inteiro, do item mal descrito ao relatório anexado.

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A cotação de preços é o trabalho concreto que existe entre uma lista de itens e um valor estimado defensável. Ela começa quando a planilha do setor requisitante chega — quase sempre com descrições improvisadas, unidades misturadas e algum item que ninguém sabe direito o que é — e termina quando o relatório entra no processo.

Entre um ponto e outro está a parte que consome a semana de quem trabalha em compras. Este guia percorre esse caminho.

Cotação de preços e pesquisa de preços: é a mesma coisa?

Na conversa do dia a dia, sim. Nos documentos, vale distinguir:

Pesquisa de preços é o termo do processo. É o procedimento inteiro previsto no art. 23 da Lei 14.133, que resulta no valor estimado da contratação.

Cotação de preços é o ato operacional dentro dela: sair e buscar quanto custa cada item. Uma pesquisa de preços é feita de cotações.

Lista de cotação é o documento de trabalho: a relação de itens que será cotada, com descrição, quantidade e unidade.

A distinção tem valor prático. Quando o controle pede "a pesquisa de preços", não está pedindo a planilha de cotação — está pedindo o conjunto: as fontes, o método, os descartes e o resultado. A planilha é uma parte.

O caminho completo da pesquisa está no guia Pesquisa de preços na Lei 14.133; o número que ela produz, na página sobre preço estimado.

A lista: onde a cotação começa a dar errado

Quase todo problema de cotação nasce antes de qualquer preço ser consultado, na lista que chegou.

"Caneta esferográfica azul" e "caneta" produzem cotações completamente diferentes. "Papel A4" sem gramatura, sem quantidade de folhas por resma e sem alvura vai trazer preços que variam três vezes — e a variação não é do mercado, é da descrição.

Antes de cotar, três verificações na lista:

Cada item descreve um produto ou um desejo? "Notebook bom para o setor" não é descrição. "Notebook, processador de 8 núcleos, 16 GB de memória, SSD de 512 GB" é.

A unidade está declarada e é a unidade de compra? Unidade, caixa, resma, fardo, litro, quilo. É aqui que mora o erro mais caro, e o tópico abaixo trata dele.

A quantidade faz sentido para o período? A quantidade não muda o preço unitário da pesquisa, mas muda o valor estimado total — e é ele que define a modalidade.

Corrigir a lista antes de cotar é mais barato que refazer a pesquisa depois.

Descrever o item para achar o preço certo

Existe uma tensão real aqui, e vale nomear: a descrição precisa ser específica o bastante para comparar e genérica o bastante para não direcionar a contratação a uma marca.

O caminho usual é descrever por características funcionais e técnicas mensuráveis, não por marca. E, quando existir, usar o código do catálogo oficial como âncora — o guia sobre CATMAT e CATSER mostra como encontrar o código certo e por que ele resolve metade do problema de comparação.

Um detalhe que aparece na prática: a descrição do seu órgão dificilmente é idêntica à descrição que outro órgão usou ao contratar o mesmo item. Buscar por correspondência literal de texto encontra pouco. É por isso que a busca por equivalência de significado — achar "caneta azul" dentro de uma descrição técnica longa — muda o volume de preços que você consegue reunir.

Embalagem e unidade: o erro que mais distorce

Este merece seção própria porque é a causa isolada mais frequente de "preço absurdo" numa amostra.

Um mesmo item aparece contratado como:

  • caixa com 50 unidades, a R$ 62,00
  • fardo com 12, a R$ 15,60
  • unidade avulsa, a R$ 1,35

São três preços unitários de R$ 1,24, R$ 1,30 e R$ 1,35 — praticamente o mesmo preço. Mas se entrarem no cálculo como estão, a média fica em R$ 26,32 e a amostra vira lixo.

Converta tudo para o preço unitário antes de comparar. Se a ferramenta usada não faz isso, faça na planilha, e registre a conversão. O guia sobre preços inexequíveis e excessivos mostra como esse tipo de distorção derruba um cálculo inteiro — e como não confundir erro de unidade com preço realmente atípico.

De onde tirar os preços, e em que ordem

A ordem não é preferência de quem pesquisa: está na IN SEGES/ME 65/2021, e é o que o controle confere.

  1. Composição de custos em sistemas oficiais de governo;
  2. Contratações similares de outros entes públicos;
  3. Mídia especializada, tabelas de referência e sítios especializados, com data e hora de acesso;
  4. Pesquisa direta com fornecedores — os "três orçamentos";
  5. Base nacional de notas fiscais eletrônicas.

Os dois primeiros são preços que a Administração já pagou. Os três orçamentos, que muita gente ainda trata como sinônimo de cotação, são o quarto parâmetro. Usá-los sozinhos sem justificar por que os anteriores não serviram é apontamento frequente.

Isso não significa abandonar o orçamento de fornecedor. Significa saber o lugar dele: ele compõe a cesta, não a substitui — e há um guia sobre como montar a cesta. Para acessar os dois primeiros parâmetros em escala, numa lista de oitenta itens, o caminho prático é um banco de preços.

Quantos preços por item

Três é o mínimo do cálculo, depois de excluídos os inexequíveis, inconsistentes e excessivamente elevados. Três é piso, não meta.

O critério útil não é o número, é a dispersão: se os preços obtidos estão próximos entre si, poucos bastam; se variam muito, três preços produzem uma estimativa que não significa nada. Quando a dispersão é alta, amplie a amostra antes de calcular — e considere se a causa não é descrição imprecisa ou unidade misturada.

E registre os descartes. Preço retirado da cesta sem dizer qual e por quê é o achado mais fácil de um auditor.

O que anexar ao processo

A cotação só vira pesquisa de preços quando está documentada. O que precisa estar no processo:

  • A lista cotada, com descrição, unidade e quantidade;
  • A origem de cada preço: órgão, data, modalidade, valor unitário;
  • A data da consulta;
  • O método de cálculo e o motivo da escolha;
  • Os valores descartados e o critério;
  • O responsável pela pesquisa.

O guia como documentar a pesquisa de preços detalha cada item e traz a estrutura do documento final.

Como o AnalisePreços cota uma lista inteira

O produto existe por causa da parte chata deste guia: cotar item por item, à mão, uma lista que chegou com oitenta linhas.

Você entrega a lista como ela veio. A planilha do setor requisitante, sem padronização prévia.

A cotação roda em segundo plano. O sistema busca item a item e avisa quando termina — você não fica olhando a tela. A pesquisa que tomava a semana acontece sem a sua atenção.

Tela da Busca Automatizada do AnalisePreços: uma lista de itens sendo cotada em segundo plano, com o progresso por item

A busca entende a descrição, inclusive por equivalência de significado — acha o item mesmo quando a descrição oficial não bate com a sua.

O Divisor converte embalagens para o preço unitário, antes da comparação.

O relatório sai com a origem de cada preço, média e mediana por fórmula fechada, brasão do órgão, responsável e data. Nenhum número gerado por inteligência artificial.

Teste por 7 dias com uma lista real do seu município: solicite seu acesso.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre cotação de preços e pesquisa de preços?

A pesquisa de preços é o procedimento inteiro do art. 23, que resulta no valor estimado da contratação. A cotação é o ato operacional dentro dela: buscar quanto custa cada item. Uma pesquisa de preços é composta de cotações, mais o método, os descartes e a documentação.

A cotação pode ser feita só com orçamentos de fornecedores?

Pode, mas é o quarto parâmetro na ordem da IN 65, atrás dos preços públicos. Usar apenas orçamentos exige justificar por que os parâmetros prioritários não foram utilizados. Sem essa justificativa, é um dos apontamentos mais frequentes do controle.

Quantos preços preciso cotar por item?

Três ou mais, excluídos os inexequíveis, inconsistentes e excessivamente elevados. Três é o mínimo legal. Na prática, o que define se a amostra é suficiente é a dispersão dos valores: preços muito variados exigem uma amostra maior.

Como comparar preços de embalagens diferentes?

Convertendo tudo para o preço unitário antes do cálculo. Caixa com 50, fardo com 12 e unidade avulsa só são comparáveis depois de divididos pela quantidade da embalagem. Registre a conversão no processo — misturar unidades é a causa mais comum de distorção numa amostra.

O que anexar ao processo depois de cotar?

A lista cotada, a origem de cada preço (órgão, data, modalidade e valor unitário), a data da consulta, o método de cálculo adotado e o motivo, os valores descartados com o critério, e a identificação do responsável pela pesquisa.

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