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Pesquisa de preços na dispensa de licitação

Dispensa não dispensa pesquisa de preços. O que muda é o rito, não a exigência de fundamentar o valor — e é justamente aí que o processo costuma ficar frágil.

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Há uma leitura equivocada que aparece com frequência: a de que a contratação direta, por ser mais simples, exigiria menos da pesquisa de preços.

O oposto costuma ser verdade. Na dispensa não há disputa para corrigir uma estimativa mal feita. Num pregão, se o valor estimado estiver alto, a competição tende a puxá-lo para baixo. Na contratação direta, o valor estimado é essencialmente o valor contratado — e a pesquisa é a única coisa entre o processo e o sobrepreço.

O que a lei exige

A Lei 14.133/2021 trata da contratação direta nos arts. 72 a 75. O art. 72 lista o que o processo de contratação direta deve conter, e entre os itens está a estimativa de despesa, calculada na forma do art. 23 — o mesmo artigo que rege a pesquisa de preços de qualquer contratação.

Ou seja: os parâmetros são os mesmos. Composição de custos a partir de sistemas oficiais, contratações similares de outros entes, mídia especializada e tabelas de referência, pesquisa direta com no mínimo três fornecedores, base nacional de notas fiscais.

E a ordem de prioridade da IN 65 também vale: preços públicos primeiro, orçamento de fornecedor depois.

O erro mais comum: "três orçamentos e pronto"

A cultura dos três orçamentos vem da lei anterior e sobreviveu ao novo marco. Na dispensa, ela aparece com força — parece proporcional ao rito simplificado.

O problema é duplo. Primeiro, orçamento de fornecedor é o quarto parâmetro na ordem de prioridade, e usá-lo isoladamente exige justificar por que os prioritários não serviram. Segundo, orçamento obtido sob encomenda para um processo específico é a fonte mais frágil que existe — é proposta, não é preço praticado.

Não é que os três orçamentos estejam proibidos. É que, sozinhos e sem justificativa, eles são o caminho mais curto para uma diligência.

Quantos preços bastam

A regra de cálculo não muda: três ou mais preços, desconsiderados os inexequíveis, inconsistentes e excessivamente elevados.

Vale repetir o que se perde de vista: três é o piso legal, não a meta. Numa contratação direta, em que não haverá disputa para corrigir a estimativa, uma amostra apertada é um risco assumido. Se há preço público disponível, ampliar a amostra custa pouco e protege bastante.

A dispensa eletrônica

Para valores dentro dos limites de dispensa, existe o rito da dispensa eletrônica, em que órgãos e entidades podem realizar a estimativa e a seleção da proposta mais vantajosa de forma concomitante, dentro do sistema.

Isso não elimina a pesquisa: a estimativa continua sendo o parâmetro contra o qual as propostas são avaliadas. O que muda é o momento e o meio.

Vale registrar que os valores-limite de dispensa são atualizados periodicamente por decreto. Conferir o valor vigente na data do processo é parte da instrução — usar um limite desatualizado é vício formal fácil de evitar.

O que precisa estar no processo

Na contratação direta, o art. 72 exige que o processo seja instruído com, entre outros elementos, a documentação da estimativa de despesa. Na prática, o que sustenta a pesquisa é o mesmo de sempre:

  • A origem de cada preço: órgão, data, modalidade, valor unitário
  • O método adotado — média, mediana ou menor preço — e o motivo
  • Os valores descartados e o critério do descarte
  • A data da pesquisa
  • A justificativa da fonte, quando não foram usados os parâmetros prioritários
  • O responsável pela pesquisa

Se a pesquisa usou orçamentos de fornecedores, acrescente a justificativa da escolha desses fornecedores — a lei pede expressamente — e confira que os orçamentos não têm mais de seis meses.

O ponto cego: a compra pequena e repetida

O maior risco da dispensa não é o processo isolado. É a repetição.

Compras pequenas do mesmo objeto, feitas ao longo do ano por dispensa, com pesquisa apressada em cada uma, somam um volume relevante com fundamentação frágil em todas. É um padrão que o controle detecta com facilidade, porque o somatório aparece nos dados de execução.

O antídoto é operacional, não jurídico: se a pesquisa de preços custa pouco tempo, ela é feita direito em todas. Quando custa uma tarde, é feita direito na primeira e apressada nas seguintes.

Como o AnalisePreços ajuda aqui

O produto trabalha sobre contratações homologadas em todo o território nacional — os parâmetros prioritários — e resolve exatamente o custo de tempo que degrada a pesquisa nas compras repetidas.

Você entrega a lista de itens, mesmo que sejam poucos, e a Busca Automatizada cota tudo em segundo plano. O relatório sai com a origem de cada preço, média e mediana por item e o brasão do órgão, pronto para anexar. A página Dispensa ou pregão eletrônico descreve as duas vias de contratação da própria ferramenta.

Perguntas frequentes

Dispensa de licitação precisa de pesquisa de preços?

Precisa. A Lei 14.133/2021 exige que o processo de contratação direta seja instruído com a estimativa de despesa, calculada na forma do art. 23 — o mesmo dispositivo que rege a pesquisa de preços das demais contratações. O rito é mais simples; a exigência de fundamentar o valor, não.

Três orçamentos de fornecedores são suficientes na dispensa?

Atendem ao mínimo de três preços para o cálculo, mas são a fonte de menor prioridade na IN 65. Usar apenas orçamentos, sem justificar por que os parâmetros prioritários não foram utilizados, é um dos apontamentos mais frequentes. O ideal é compor a cesta com preços públicos.

Posso usar a mesma pesquisa para várias dispensas do mesmo item?

Depende do intervalo e da variação do mercado. Preço tem validade, e reaproveitar uma pesquisa antiga sem atualização é frágil. Se as compras se repetem ao longo do ano, o caminho mais seguro é refazer a pesquisa a cada processo — o que só é viável se ela for barata em tempo.

O valor-limite da dispensa muda?

Os valores são atualizados periodicamente por decreto. Conferir o limite vigente na data do processo faz parte da instrução; usar um valor desatualizado é um vício formal simples de evitar.

A dispensa eletrônica substitui a pesquisa de preços?

Não. Na dispensa eletrônica, a estimativa e a seleção da proposta podem ocorrer de forma concomitante no sistema, mas a estimativa continua sendo o parâmetro contra o qual as propostas são avaliadas.

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